PostHeaderIcon Tia Jane

                                 TIA JANE – UMA HISTÓRIA DE VIDA

tia jane     Estava escrito que aquele 15 de janeiro seria mesmo um dia especial. Por
entre as dores do parto, brilhou o sorriso da mãe – Mariana – quando ouviu o choro
e, logo em seguida lhe foi apresentada uma linda menina, de pele clara, fartos
cabelos castanhos e bochechinhas rosadas.

     O pai – Ademar – todo orgulhoso e feliz decidiu que ela se chamaria Joana, ou
melhor, Joana Batista, numa homenagem singela ao santo de devoção, ou talvez a
sua tia Joana, irmã de sua mãe Angelina.

     Os irmãos, Fiíca (Geralda) Getúlio, Zezé, Jovita, Mazinho (de tão saudosa
memória!), Toninho e Tadeu, com grande expectativa, acolhiam o bebê que vinha
juntar-se a eles, tornando ainda mais completo aquele lar.

     A garota crescia, rodeada de irmãos e cercada pelo carinho e ensinamento
dos pais. Joana, Nana, Janinha, e... Jane. Assim ficou sendo carinhosamente
chamada e conhecida.

     Vida difícil, muitos filhos para criar e os problemas não eram poucos. Mas,
naquele lar, predominava a alegria. Casa sempre cheia de amigos, compadres,
comadres e agregados. Nunca faltando atenção, mão estendida ou um lugar à mesa
a quem chegasse.

     E a cada ano, Deus continuava derramando suas bênçãos sobre aquele lar e
a menina Jane, ganhava mais irmãos e irmãs: Angelina, Felizardo, as gêmeas
Jandira e Janete, e o caçula – Pedro Paulo.

     A infância livre e feliz na pequenina Monsenhor Paulo, As cantigas de roda,
as brincadeiras na rua e até de “bandido e mocinho” nas palhas de arroz da
máquina do Sr. Waldemar.

     A descoberta das primeiras letras, pelas mãos da meiga professora D. Neide,
no Grupo Escolar Professor João Mestre. A continuidade dos estudos no Ginásio
Estadual Presidente Kennedy, sob o olhar atento e severo do Diretor Padre Rogério
Abdala.

     Mas, a vida realmente não era fácil e havia muito que ajudar, nas tarefas
domésticas, no balcão da venda ou do açougue e, principalmente pajeando os mais
novinhos.

     E entre folguedos, trabalho e estudo, foi a menina se transformando em
adolescente, moldando seu caráter e desenvolvendo a alegria de viver, traço que
seria marcante ao longo de sua vida.

     E então, de repente... O coração despertando para o amor, o primeiro
namorado... E o destino, como que numa gostosa brincadeira lhe reserva o João
Bosco. Joana, João. Tem início ai uma linda história de amor. A sublime união, o
amor concretizado: Joanita e Ana Rosa, presentes de Deus, transformando-a em
uma mãe tão especial!

     Aos poucos vai se delineando a figura da “Tia Jane”: já normalista, a
escolinha lá embaixo, no início da Rua Coronel Zoroastro de Oliveira. O carinho e o
amor pelas crianças. A alegria que a fazia sentir-se uma delas... Agora já é
professora regente na mesma escola onde iniciara seus estudos.

     Mas, Tia Jane é guerreira! Não para por aí. Sua meta, o Curso Superior -
Pedagogia – a especialização, a pós-graduação. E eis a Tia Jane dirigindo a Escola
Estadual Professor João Mestre. Mas não se torna simplesmente uma diretora. Vai
além, vira amiga, irmã dos funcionários e segunda mãe dos alunos.

     A faculdade, a escola, a casa, o marido, as filhas. Tudo ela tira de letra, na
maior animação.

     Problemas, claro que os tinha. Mas sabia driblá-los muito bem. E seguia Tia
Jane, vida a fora, semeando alegria e repartindo amor: Amor maternal, estendido
aos sobrinhos queridos, repartido igualmente entre todos, sem distinção. Amor
fraternal, que se amplia alcançando cunhados e cunhadas. Amor filial
generosamente estendido ao sogro, Sr. Atílio e à “sogrona”, como carinhosamente
se dirigia à D. Nair.

     E Tia Jane é também festeira! Festa do Peão, Paulense Ausente, os bingos
na escola, as festas juninas, os carnavais, as festas da igreja, as reuniões de
amigos. Ah! Os amigos! Incontáveis amigos. Quantos se tornaram seus compadres e
comadres. O carinho e a palavra de afeto, aquilo que cada um precisava e gostava
de ouvir.

     Mas Tia Jane precisou partir.

     Partiu num dia ensolarado, no finalzinho do verão. Os pássaros não
deixaram de cantar, pois Tia Jane adorava música. O sol não deixou de brilhar, pois
os caminhos de Tia Jane sempre foram de muita luz. As nuvens não quiseram
nublar o céu, pois o azul era uma de suas cores favoritas.

     E as pessoas choraram muito. Não um choro desesperado, de quem perdeu
alguém para sempre, mas um choro tímido, até sereno, porque todos sabiam que
Tia Jane era “só alegria!”.

     Se Tia Jane virou estrela, tenho certeza de que é a mais bela e brilhante
estrela do céu. E todas as vezes que olharmos para cima, teremos a certeza absoluta
de que lá, todos estão em festa.

     Descanse em paz, Tia Jane!

     Seja feliz, minha comadre!

VERA LÚCIA BELATO BALDIM

 

Comentários  

 
0 #3 Graziela 05-12-2018 00:24
Amiga verdadeira de minha saudosa mãe Goreti Baldim.....minha primeira professora....alegria contagiante....
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+1 #2 Marisa Perna 04-12-2018 11:50
Adorava a Jane.Ate chorei qd li.Parabens pela homenagem.Amei.Tenho certeza q ela está brilhando onde estiver.
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+1 #1 Silvana Piedade 04-12-2018 11:39
A tia Jane partiu?
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